ROBERTO FREIRE
ROBERTO FREIRE
Roberto Freire teve destacada atuação como pensador libertário em diversas áreas da cultura brasileira, especialmente nas últimas décadas do século XX. Autor de mais de trinta livros, entre romances e ensaios, também se dedicou ao teatro, ao jornalismo, à medicina, ao cinema e à música. Sua participação na luta contra a ditadura civil-militar no Brasil, aliada ao envolvimento nessas diferentes áreas, foi fundamental para a emergência da Somaterapia. Roberto Freire faleceu em maio de 2008, permanecendo até o fim de sua vida como companheiro e militante implicado com os ideais anarquistas.
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Na trajetória de Roberto Freire expressa-se não apenas o terapeuta idiossincrático que criou a Soma — uma terapia anarquista —, mas também o militante do tesão, defensor de um modo de vida pautado pelo prazer como força vital. Soma-se a isso o dramaturgo, escritor e romancista, autor de mais de trinta livros, cuja obra marcou gerações ao longo das últimas décadas. Desde Cléo e Daniel, com milhares de exemplares vendidos em bancas de revista no formato de jornalivro — uma ousadia editorial para a época —, Freire demonstrou que a mistura entre literatura e vida poderia gerar algo único: a Soma.
Os ingredientes dessa criação aparecem de forma clara em ensaios como Utopia e Paixão, Sem Tesão Não Há Solução e Ame e Dê Vexame: a ideologia do prazer como arma revolucionária contra o sacrifício imposto por sociedades autoritárias e capitalistas. A noção do tesão como bússola da singularidade tornou-se sua principal bandeira após o rompimento com a Psicanálise e a Psiquiatria tradicionais, ainda nos anos 1960.
Formado em Medicina, Roberto atuou em ambulatórios psiquiátricos e teve formação psicanalítica, mas afastou-se por divergências ideológicas, considerando essas práticas coniventes com o sistema vigente. Passou então pelo jornalismo, teatro e literatura, onde encontrou liberdade criativa e retomou sua paixão pela Psicologia. No final dos anos 1960, voltou à clínica e iniciou a pesquisa de um método terapêutico alinhando Reich ao anarquismo no cotidiano.
Após mais de 50 anos difundindo a Soma no Brasil e na Europa, a prática da Soma consolidou-se como abordagem terapêutica e pedagógica libertária. Roberto Freire, nosso querido Bigode, faleceu em maio de 2008, mantendo-se até o fim ativo na militância da Soma e do anarquismo. Entre suas últimas produções estão a autobiografia Eu é um Outro, O Tesão pela Vida, em parceria com o Coletivo Brancaleone, e o CD Vida de Artista, realizado com filhos e amigos.
JOÃO DA MATA
João da Mata é o mais antigo colaborador de Freire em atividade. Há mais de trinta anos, dedica-se ao desenvolvimento e à aplicação da Soma, por meio da publicação de livros sobre as pesquisas mais recentes, da condução de grupos terapêuticos, de palestras e cursos, bem como da difusão da prática no Brasil e no exterior. Além disso, ampliou as pesquisas sobre a Somaterapia no âmbito a acadêmico em diferentes instituições de ensino, no Rio de Janeiro e em Lisboa, Portugal.
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João da Mata, 56 anos, teve seu primeiro contato com a Soma em 1988, em Recife-PE. Sua formação como somaterapeuta junto a Roberto Freire foi marcada por uma forte amizade e companheirismo na construção e desenvolvimento da Soma. Desde então, João da Mata tem sido o principal responsável pela continuidade do trabalho de Freire, especialmente após sua morte, em maio de 2008.
Além de somaterapeuta, João da Mata é Psicólogo, Mestre em Filosofia e Doutor em Sociologia pela Universidade de Lisboa, sob orientação do Prof. Dr. José Maria Carvalho Ferreira. Em 2019, sua tese foi publicada em Portugal com o título Dinâmica de Grupo e Autogestão (Ed. Clássica). Em 2014, concluiu o Doutorado em Psicologia no Programa de Pós-Graduação da Universidade Federal Fluminense (UFF/RJ), com o tema A Arte-Luta da Capoeira Angola e Práticas de Liberdade, e em 2018 realizou Pós-Doutoramento em História na mesma universidade.
João da Mata vem consolidando sua presença no campo reichiano e libertário brasileiro, em parcerias com coletivos e núcleos de pesquisas. Em mais de 30 anos de atuação, coordenou grupos da Soma em diversas cidades brasileiras e atualmente atua em São Paulo e no Rio de Janeiro, onde reside. Também desenvolveu grupos terapêuticos em Buenos Aires, Lisboa, Madrid e Barcelona, onde mantém um núcleo de pesquisa e trabalho com a Soma.
Entre suas publicações destacam-se: SOMA – Vol. III – Corpo a Corpo (1993, Ed. Guanabara Koogan), escrito em conjunto com Roberto Freire; A Liberdade do Corpo (2001, Ed. Imaginário); O Tesão pela Vida (2006, Ed. Francis), em colaboração com outros somaterapeutas; Prazer e Rebeldia (2007, Ed. Achiamé); Introdução à Soma – terapia e pedagogia anarquista do corpo (2021, Ed. Hedra); Anarquia e Anarquismo (2021, Nau Editora), em coautoria com José Maria C. Ferreira e Juniele Rabêlo.; e Wilhelm Reich e saberes insurgentes (Ed. Summus). Além de conduzir os grupos da Soma, da Mata realiza atendimentos clínicos individuais utilizando técnicas somáticas e produz uma série de filmes sobre a Soma e o pensamento libertário, disponíveis na internet.
Coletivo Brancaleone
A Soma possui mais de cinquenta anos de atuação no Brasil e na Europa. Em sua fase inicial, Roberto Freire dedicou-se à formulação dos princípios básicos da teoria e metodologia que ainda fundamentam a prática da Soma. A continuidade e desenvolvimento de seu método decorrem de pesquisas interdisciplinares nos campos da psicologia, da sociologia e da política, resultando em uma abordagem em permanente construção. Ampliar esse legado constitui um desafio central para seus praticantes.
No início da década de 1990, em encontro realizado em Ilhabela (SP), criamos o Coletivo Anarquista Brancaleone, reunindo Roberto Freire e somaterapeutas vinculados à sua formação. Após o falecimento de Freire, em 2008, o Brancaleone manteve-se em atividade, reunindo somaterapeutas em exercício e em formação até 2012, quando foi diluído. Desde então, João da Mata vem dando prosseguimento às pesquisas iniciadas por Freire no aprofundamento da Somaterapia nos campos terapêutico e pedagógico, na formação de novos profissionais e na renovação do coletivo como núcleo de pesquisa da Soma.