CURSO DE INTRODUÇÃO
AOS FUNDAMENTOS DA SOMA
A próxima turma do Curso de Introdução teórica e metodológica da SOMA comoça no dia 14 de agosto de 2025. Os encontros/aulas ocorrerão de forma remota através do zoom.
Ementa do Curso
A Somaterapia ou apenas Soma é uma prática terapêutica libertária, criada no Brasil pelo médico e escritor anarquista Roberto Freire. Trata-se de uma abordagem terapêutica coletiva e que abarca análises psicológicas em permanente cruzamento com diferentes campos como a filosofia, a sociologia e a política.
A Soma caracteriza-se ainda como um processo eminentemente corporal, que problematiza o corpo como uma entidade complexa em co-relação com o ambiente. O corpo será pensado aqui também como “corpo político”, através das análises em torno da inter-subjetividade, da analítica do poder e das práticas de resistências.
O curso terá oito encontros, durante dois meses, e abrange os seguintes temas
A emergência da Somaterapia e o encontro com a obra de Wilhelm Reich; a Gestalt-terapia na Soma; a presença da Capoeira Angola como ferramenta terapêutica; a Antipsiquiatria / Teoria do Duplo Vínculo e os Anarquismos na Soma.
Objetivos
O curso pretende servir como uma introdução teórica e metodológica à Somaterapia, discutindo temáticas referentes ao corpo como fonte de expressão do comportamento, a dinâmica de grupo em autogestão presente no processo da Soma, a micropolítica do cotidiano e a produção de subjetividades.
A quem se destina
Destinado a estudantes e profissionais de diferentes áreas, e demais pessoas interessadas nas abordagens do corpo e pensamento libertário e suas aplicabilidades.
Dias e horários
Quintas, das 19h às 21h.
Valor
2 parcelas de R$ 300,00, referentes aos 2 meses de curso.
As aulas serão ao vivo, realizadas pela plataforma Zoom. Elas ficarão gravadas e serão disponibilizadas para quem perdeu no dia ou deseja rever. Tomaremos por base os 3 livros da Soma: A Alma é o Corpo, A Arma é o Corpo e Corpo a Corpo, que serão oferecidos em arquivo PDF, além de referências e indicações de filmes e livros.
Para garantir sua vaga, pedimos que seja realizado o depósito referente ao primeiro mês e enviado o comprovante por e-mail ou WhatsApp.
Banco do Brasil
Ag. 4684-1
C.C. 17320-7
CPF/PIX: 555154014-68
OBS: Cada aluno(a) receberá o link da sala a cada semana. Vagas limitadas.
João da Mata é Somaterapeuta há cerca de 30 anos. Atua também como Psicólogo clínico na abordagem somática. É Mestre em Filosofia; Dr. em Psicologia/UFF; Dr. em Sociologia pela Universidade de Lisboa e Pós-Doutor em História/UFF. Autor de diversos livros e artigos sobre a Somaterapia e pensamento libertário.
Aula 1: Apresentação do Curso e Introdução ao tema: trajetória de vida e obra do escritor e criador da Soma, Roberto Freire. Noção de vida artista e estética da existência.
A emergência da Somaterapia no Brasil: ditadura civil-militar; encontro com o teatro, Wilhelm Reich, Gestalt, Antipsiquiatria e Anarquismo. O conceito de Soma, unicidade e materialismo filosófico.
Aula 2: Wilhelm Reich I — antecedentes históricos; relação Reich x Freud; psicanálise e marxismo; Sexpol; emergência do fascismo; autorregulação/heterorregulação; originalidade única e unicismo; corpo e política.
Aula 3: Wilhelm Reich II — couraça neuromuscular do caráter; processos somáticos; relação dominador/dominado; agressividade x violência; dinâmicas corporais e micro laboratório social dos grupos de Soma.
Aula 4: A Gestalt-terapia na Soma e a Capoeira Angola; o aqui e agora do processo terapêutico; vida e obra de Frederick Perls; definição gestáltica de neurose; figura e fundo.
Aula 5: Gestalt II; reserva energética; organização vital; responsabilidade e criação de si; Capoeira Angola e Soma; teoria reichiana, gestalt e percepção.
Aula 6: Antipsiquiatria / Teoria do Duplo Vínculo; micropolítica dos afetos; fabricação da loucura; comunicação verbal e não verbal; padrões, patologias e paradoxos da interação.
Aula 7: Gregory Bateson; emergência da Antipsiquiatria; medicalização da vida; conceito de Duplo Vínculo; comunicação digital e analógica; movimento político e pensamento libertário.
Aula 8: Anarquismo na Soma; dinâmica de grupo e autogestão; micropolítica libertária; marxismo x anarquismo; autogestão; estética da existência e vida artista; modo de vida libertário; heterotopias.
Não será utilizada diretamente no curso, mas serve como sugestão de leitura.
BEY, Hakim. TAZ: Zona Autônoma Temporária. São Paulo: Conrad Editora, 2011.
BOOKCHIN, Murray. Ecologia Social e outros ensaios. Rio de Janeiro: Achiamé, 2010.
COIMBRA, Cecília. Guardiões da Ordem. Rio de Janeiro: Oficina do Autor, 1995.
COOPER, David. Psiquiatria e Antipsiquiatria. São Paulo: Perspectiva, 1967.
FOUCAULT, Michel. Vigiar e Punir. Petrópolis: Vozes, 1979.
FOUCAULT, Michel. Microfísica do Poder. Rio de Janeiro: Graal, 2010.
FREIRE, Roberto. Soma: uma terapia anarquista Vol. 1 — A alma é o corpo. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1988.
FREIRE, Roberto. Soma: uma terapia anarquista Vol. 2 — A arma é o corpo. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1991.
FREIRE, Roberto & MATA, João da. Soma: uma terapia anarquista Vol. 3 — Corpo a corpo. São Paulo: Sol e Chuva, 1996.
LA BOÉTIE, Étienne. Discurso da Servidão Voluntária. São Paulo: Martin Claret, 2009.
MATA, João da. Soma, capoeira angola e anarquismo. São Paulo: Imaginário, 2001.
MATA, João da. Dinâmica de Grupo e Autogestão. Lisboa: Ed. Clássica, 2019.
REICH, Wilhelm. A Função do Orgasmo. São Paulo: Brasiliense, 1984.
REICH, Wilhelm. Psicologia de Massa do Fascismo. São Paulo: Martins Fontes, 1988.
REICH, Wilhelm. Análise do Caráter. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
WATZLAWICK, P.; BEAVIN, J. H.; JACSON, D. D. Pragmática da comunicação humana. São Paulo: Cultrix, 2007.
Eventos
Conversação com João da Mata
A micropolítica dos afetos e práticas de liberdade
Casa Lira
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Conversação com João da Mata
Drogas e liberdade com Thiago Rodrigues
Rio de Janeiro
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Matérias sobre Roberto Freire
Matérias sobre a Somaterapia
Matéria sobre a Somaterapia
“Se o corpo nu é algo que nos une como semelhantes, por que há aversão social?”
Acessar
UOL: Terapia criada na ditadura encontra terreno fértil no atual clima de protestos
A obra de Wilhelm Reich serve como espinha dorsal para a chamada Somaterapia.
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Revista TRIP: Ame e dê Vexame
A edição de junho de 2014 é dedicada à busca do tesão como modo de vida pautado no prazer.
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Revista Vice: A Incompreendida Psicoterapia de Wilhelm Reich
A obra de Wilhelm Reich serve como espinha dorsal para a chamada Somaterapia.
AcessarDefesa pública da tese de Doutorado em Psicologia UFF
A Arte Luta da Capoeira Angola e Práticas Libertárias, de João da Mata
Estarão presentes na banca de defesa: Dr. Edson Passetti (PUC-SP), Drª. Heliana Conde (UERJ), Dr. Jorge Vasconcellos (UFF), Dr. Johnny Alvarez (UFF) e Drª. Márcia Moraes (orientadora).
Fragmentos da tese:
A virtude do corpo no jogo da capoeira angola vem de uma peculiar performatividade: sua capacidade de mover-se de maneira inusitada e surpreendente. Este jeito do corpo em instaurar-se no mundo de modo inteligente na elegância do gesto ou na tensão do golpe baliza sua existência na interface entre a arte e a luta.
Ainda vivemos com demasiada intensidade um corpo platônico, cindido e esquizofrênico. Cortando em duas partes, a hegemonia do pensamento sobre as sensações continua a reinar fortemente, e sua incidência começa cedo e continua pela vida: em casa, nas escolas e suas rígidas cadeiras, na lógica do trabalho e na produção do dinheiro. Seguimos firmes na manutenção do platonismo e no abandono do corpo, apesar das fissuras provocadas por pensadores somáticos.
O que Wilhelm Reich (1897–1957) busca compreender, sem dirigir-se diretamente à Étienne La Boétie (1530–1563), é como a neurose está relacionada à ideia da aceitação do soberano. Para ele, o conflito emocional se produz através da incitação à obediência, que começa em casa a partir de uma educação orientada para o consentimento da centralidade e da hierarquia. De início, a obediência aos pais; depois aos professores; aos patrões; e por fim ao Estado, seja ele representado pela polícia ou tribunais. A obediência a Deus perpassa todos estes espaços. Para La Boétie, e em certa medida também para Reich, o espanto com os efeitos danosos do autoritarismo se dirige mais aos que obedecem do que a quem os produz.
AcessarPor educação, perdi a minha vida.